Em face da presente conjuntura, o Sintef-GO vem a público manifestar seu posicionamento enfático de defesa da classe trabalhadora, da educação pública, gratuita e de qualidade, da Rede Federal de Educação, Ciência e Tecnologia e de suas/seus servidoras/es técnicas/os administrativas/os e docentes.
A sociedade brasileira de 2026 se encontra sob uma ordem social regressista, fortemente aprofundada a partir do Golpe de Estado de 2016, que assumiu a forma de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, efetivamente conduzido por dentro da institucionalidade, por meio de uma frente política que se estendia da centro-direita à extrema-direita e que também reunia as diversas frações das classes dominantes. Os dois governos que se seguiram [Michel Temer (12/05/2016-1º/01/2019) e Jair Bolsonaro (1º/01/2019-1º/01/2023)] foram responsáveis pela implementação da chamada Agenda Ultraneoliberal do Golpe de 2016: Reforma Trabalhista, Reforma do Ensino Médio, Reforma da Previdência, implementação das chamadas Emendas Impositivas, cortes de gastos com Educação e Saúde e aprofundamento política de austeridade fiscal mediante a PEC 95/2016, articulada com a aprovação da autonomia do Banco Central (e consequente liberdade de manutenção de taxas de juros elevadas e captura do orçamento público pelo capital bancário-financeiro). Esses Governos também subordinaram o país aos Estados Unidos e sua política imperialista no mundo e na América Latina.
Desde então, em consequência da Agenda do Golpe, presenciamos aspectos como forte uberização/informalidade do trabalho, precarização dos serviços públicos, explosão da dívida pública, manutenção de crescimento econômico baixo, maior endividamento das famílias e maiores obstáculos para obtenção da aposentadoria e usufruto do Benefício de Prestação Continuada.
As mobilizações das/os trabalhadoras/es, camadas populares e estudantes/juventudes não foram fortes o suficiente para derrotar a Agenda Ultraneoliberal do Golpe e para impedir a morte de mais de 700 mil pessoas em decorrência do negacionismo/resistência do governo Jair Bolsonaro para conduzir a campanha de vacinação contra a covid-19. Todavia, essas mobilizações foram fortes o bastante para derrotar as diversas tentativas de fechamento de Regime e imposição de uma ordem social abertamente autoritária.
Com a mudança no cenário político federal decorrente das eleições de 2022, foram adotadas, a partir de 2023, políticas e programas sociais que atenuaram alguns dos efeitos mais deletérios da Agenda Ultraneoliberal do Golpe: desde a isenção total do Imposto de Renda da Pessoa Física para quem recebe até R$ 5.000,00 por mês até a resistência institucional às movimentações golpistas da ultradireita que se seguiram ao pleito de 2022 e culminaram nos ataques de 8 de janeiro de 2023. Também redundou em uma política externa não diretamente subordinada aos Estados Unidos.
Na Rede Federal, implementou-se a sua expansão e contemplou-se grande parte das reivindicações da Greve de 2024 (conquista do RSC, melhorias das carreiras PCCTAE e EBTT e dos salários, e recomposição relativa investimentos em educação). Todavia, em decorrência de aspectos ‘possíveis’, como falta de ousadia política, limitações impostas pela política de frente ampla e correlação de forças políticas e sociais desfavoráveis, não houve nos últimos anos uma campanha nacional orientada para a derrocada da referida Agenda Ultraneoliberal.
Em todas as análises de conjuntura feitas em assembleias do Sintef-GO ao longo do período mencionado, foram destacados esses pontos críticos, o que também pode ser verificado nas mais variadas publicações em seu site. E, diante do exposto e do que está posto, o Sintef-GO está convicto de que a retomada de uma força política de ultradireita é também a retomada agressiva da Agenda Ultraneoliberal, que não favorece a valorização dos serviços e das/os servidoras/es públicas/os, o fortalecimento da educação pública e a ampliação dos direitos da classe trabalhadora.
O Sintef-GO, em consonância com seus princípios estaturários, sempre travou luta em defesa de pautas que interessam a classe trabalhadora, camadas populares e estudantes/juventudes. Justamente por isso, defende enfaticamente a Rede Federal, o fim da escala 6X1 e SUS 100% Público. E luta pelas constantes e permanentes formas de propiciar condições históricas e sociais para a derrota da Agenda Ultraneoliberal do Golpe, com vistas à conquista de direitos e democracia política.
O Sintef-GO conclama as/os filiadas/os que avaliem as propostas em disputas, as consequências dessas propostas e façam uma escolha amparada na análise crítica da conjuntura política eleitoral de 2026. Também reitera que independentemente do resultado das urnas do próximo dia 25 de outubro de 2026, a entidade estará à frente das lutas da classe trabalhadora em geral e das/os servidoras/es do IFG e IF Goiano.
Em defesa da educação e do serviço público e contra os cortes orçamentários!
Antonio Gramsci – “O velho mundo está morrendo, o novo tarda a nascer. Nesse claro-escuro, surgem os monstros.“
Goiás, 20 de outubro de 2026.
Sintef-GO,
Na Luta!