Em defesa da soberania e desenvolvimento nacional, da saúde e educação pública, das liberdades democráticas e contra as políticas de austeridade fiscal.
Na última segunda-feira, dia 26 de outubro, após o resultado eleitoral, o Mercado Financeiro reagiu com uma queda de 13,88% na bolsa e a valorização do dólar frente ao real em 10%. Essas notícias municiaram a oposição e a imprensa hegemônica para a criação de um pânico a respeito da economia do país. Mas isso tem método e já o conhecemos.
Primeiramente, vamos aos fatos. O Ibovespa (Índice Bovespa, o principal indicador de desempenho do mercado de ações no Brasil) caiu cerca de 13,88% no primeiro dia após o segundo turno das eleições. Quando uma queda tão brusca acontece, a bolsa aciona o chamado circuit break, que consiste na interrupção das transações pelo período de trinta minutos, a fim de evitar que acionistas hajam por impulso, conforme explica o economista José Kobori em seu canal no YouTube.
O resultado vem após duas semanas de alta, período em que agentes do Mercado Financeiro reagiram com o aumento de transações e consequente queda do dólar. Desta forma, o que ocorreu nesta segunda-feira foi uma “correção”, após a aposta do mercado visando as propostas de retirada de direitos dos trabalhadores do candidato que havia ficado à frente no primeiro turno.
Há, também, quem está aproveitando o momento por ter comprado dólar em baixa para vendê-lo em alta agora, conforme alertado em reportagem do SBT. Isso pode ter ocorrido, porque na reta final da campanha o candidato da direita passou a defender os direitos e benefícios sociais que o Mercado esperava que fossem retirados. Isto é, a queda da segunda-feira já estava prevista e é comum após eleições.
Como isso pode nos afetar?
Olhando de maneira um pouco simplificada, há duas formas principais de sermos afetados por este movimento do Mercado Financeiro. A primeira, de forma direta, a fuga de capitais, a venda de real e a inflação do dólar podem causar o aumento de preços em produtos que ainda são negociados na moeda estadunidense e em produtos brasileiros que também são destinados à exportação, e nos combustíveis que, devido à privatização da Br Distribuidora pelo governo anterior, podem seguir o preço internacional do petróleo e repassar um aumento a nós, consumidores. Tal processo, ao provocar uma inflação cambial, também pode concorrer para o Banco Central “justificar” elevação da taxa de juros para “combater” inflação, com consequências deletérias no consumo, no emprego, na dívida pública, no orçamento público e nos serviços públicos.
A outra forma de sermos afetados é indireta, a partir do lobby dos diversos grupos com interlocução no Congresso e que defendem os interesses das classes dominantes. Já vimos esse filme, em 2015, no início do segundo mandato da Presidenta Dilma Rousseff, que se iniciou com queda da bolsa e alta do dólar e que, após pouquíssima pressão, cedeu e tomou medidas de austeridade fiscal que minaram ainda mais o seu mandato e abriram passagem para o Golpe de Estado de 2016.
O atual Congresso era o pior da história, até as eleições do dia 4 de outubro serem marcadas pelo avanço significativo da extrema-direita tanto no Senado quanto na Câmara. É certo que haverá pressão para o ajuste fiscal contra a classe trabalhadora e as camadas populares, seja antes ou depois do início da próxima legislatura.
O que fazer?
A reeleição com expressiva virada ocorrida no dia 25 de outubro nos dá um caminho já experimentado: as ruas. As mobilizações que levaram à rejeição do extremismo neoliberal nas urnas devem ser mantidas em defesa do resultado eleitoral, da queda da criminosa taxa de juros, do fim da escala 6×1, do aumento real no salário mínimo, do fim das bets, e em defesa da saúde, da educação e da soberania nacional.
Para evitar o retrocesso é necessário aproveitar o momento em que demonstramos a nossa força para fortalecer organizações populares, sindicais e estudantis. Vencemos nas urnas e venceremos nas ruas!
PELA DEMOCRACIA E DESENVOLVIMENTO NACIONAL SOBERANO!
PELA MANUTENÇÃO DO FIM DAS BETS!
PELA MANUTENÇÃO DO FIM DA ESCALA 6X1!
EM DEFESA DA EDUCAÇÃO PÚBLICA!
Sintef-GO,
Na luta!