A Venezuela foi atingida por um duplo terremoto na quarta-feira da semana passada, dia 24 de junho. Os sismógrafos registraram dois tremores principais com magnitude de 7.2 e 7.5 na escala Richter em um intervalo de 39 segundos, e mais centenas de outros de menor impacto que seguem ocorrendo na região até o presente momento, chamados de réplicas.
O governo Venezuelano confirmou, de acordo com as últimas informações apuradas, a morte de cerca de 2,6 mil pessoas e mais de 10 mil feridos. Os números continuam crescendo, já que as operações avançaram para a etapa de retirada de escombros com máquinas pesadas, procedimento adotado quando as chances de encontrar sobreviventes são muito reduzidas. Este é o maior terremoto na Venezuela nos últimos 50 anos.
Para efeito de comparação, o terremoto principal que abalou o Haiti em 2010 tinha uma magnitude de 7.0 e, segundo a Cruz Vermelha, pode ter matado até 200 mil pessoas. Outro caso de terremoto duplo é o que atingiu Turquia e a Síria em 2023, com saldo de mais de 100 mil mortos e teve a magnitude registrada de 7.8 e 7.7. Diante do estrago registrado em outras ocasiões, a ONU já anunciou que irá disponibilizar 10 mil sacos para cadáveres para a Venezuela.
A cidade mais atingida foi La Guaira, cidade turística costeira, repleta de prédios antigos que foram total ou parcialmente destruídos pelo abalo. Segundo o governo venezuelano, em todo país, cerca de 190 prédios foram completamente destruídos e mais de 600 tiveram danos graves à sua estrutura. A estimativa do prejuízo econômico que a catástrofe pode ter causado vai de 10 a 100 bilhões de dólares.
Em meio aos escombros, além de profissionais e civis venezuelanos, há resgatistas de pelo menos 30 países, incluindo o Brasil. Alguns países anunciaram envio de ajuda que, somados, se aproximam a 600 milhões de dólares. Entre os benfeitores, destacam-se os Estados Unidos que anunciaram 300 milhões de dólares destinados à ajuda humanitária na Venezuela, sendo que a maior parte será destinada a ONGs estadunidenses que atuam no país caribenho. Para poder enviar ajuda à Venezuela, Trump precisou suspender as próprias sanções contra o país.
Apesar das dimensões da tragédia e da proximidade que possibilitou sentirmos os tremores no norte do país, no Brasil e em outros países sul-americanos o caso tem sido tratado com certa indiferença, com pouca cobertura da mídia e menos ações coordenadas de solidariedade. Nossos vizinhos, que nos forneceram oxigênio durante a pandemia de Covid-19, precisam do nosso apoio, mas recebem o contrário.
Nem mesmo diante desta catástrofe os ataques à soberania venezuelana cessaram. Já assolado por décadas de sanções estadunidenses e instabilidade política e institucional fomentadas por forças imperialistas, o povo venezuelano se vê mais uma vez cercado de abutres que se aproveitam do desastre para tocar adiante seus projetos políticos. Veículos de comunicação estadunidenses e europeus noticiam, e os brasileiros reproduzem, a situação destacando a atuação estrangeira no resgate e ignorando os milhares de venezuelanos que, sendo vítimas, resgatam as demais vítimas. Coordenadamente, a oposição planta denúncias infundadas, que no momento tendem a atrapalhar.
A catástrofe ocorre no pior momento da economia venezuelana, após a invasão, sequestro do presidente e sistemáticos ataques dos EUA. Os 300 milhões anunciados não chegam perto de custear a recuperação dos estragos causados pelos terremotos e muito menos daqueles causados por décadas de bloqueio econômico. Ainda assim, o governo estadunidense se coloca como o Messias que veio para salvar a Venezuela.
Como dito anteriormente, a ajuda tem chegado de diversos países, inclusive do Brasil. No entanto, diante da falta de centralização das medidas e da destinação de recursos em apoio à Venezuela, o Sintef-GO convida todas e todos a buscarem mais informações sobre a situação no nosso vizinho, a acompanhar jornais e demais comunicadores que trouxerem notícias e apoiar como for possível.
O Sintef-GO se solidariza com a situação do povo venezuelano e deseja forças não só para os que estão lá, mas também aos milhares que vivem em outros países, mas mantém amigos e familiares na Venezuela.
Sintef-GO,
Na luta!