NOTA POLÍTICA: 8 de janeiro

Diante do recente ataque imperialista dos Estados Unidos à Venezuela e em referência aos três anos da tentativa de golpe contra as instituições democráticas brasileiras, movimentos sociais, organizações políticas, sindicatos e centrais sindicais estão convocando um ato para o dia 8 de janeiro, em Brasília, em defesa da democracia. Sob o lema “em defesa da democracia, sem anistia para golpistas, pelo veto ao PL da dosimetria”, a mobilização reafirma que a classe trabalhadora não aceitará nem a normalização da extrema direita golpista, nem o abrandamento de penas para aqueles que atentaram contra o Estado Democrático de Direito em 8 de janeiro de 2023.

​O ataque imperialista dos Estados Unidos à Venezuela, com sequestro do presidente Nicolás Maduro e assassinato de militares e civis, é parte de uma ofensiva para derrubar governos que buscam algum grau de soberania política e controle popular sobre recursos estratégicos como petróleo e gás. Ao longo de mais de duas décadas, sabotagens econômicas, sanções, confisco de ativos e tentativas de golpe vêm sendo usadas para quebrar a resistência do povo venezuelano e recolocar o país sob a órbita direta do capital financeiro e das oligarquias norte-americanas.

​No Brasil, essa mesma extrema direita atuou de forma organizada, com apoio empresarial e articulação de quadros civis e militares, para tentar impor um golpe em 8 de janeiro de 2023, quando milhares de bolsonaristas invadiram e depredaram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o STF, buscando reverter pela força o resultado das eleições. A denúncia da PGR e diferentes investigações deixam evidente que o 8 de janeiro não foi um “ato espontâneo”, mas a face violenta de um plano golpista mais amplo, construído desde 2021, que contou com financiamento privado, acampamentos em frente a quartéis e articulações de cúpula com setores das Forças Armadas.

​Hoje, o chamado “PL da Dosimetria” – aprovado no Senado como PL 2.162/2023 – procura reduzir penas e acelerar a progressão de regime para condenados pelos atos golpistas, inclusive beneficiando diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros envolvidos na tentativa de golpe de Estado. Ao unificar crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito com o de golpe de Estado e flexibilizar regras de execução penal, o projeto escancara a disposição do Congresso em anistiar, na prática, parte dos responsáveis pelos ataques de 8 de janeiro, abrindo caminho para novos ataques à democracia.

​Enquanto a extrema direita global articula golpes, bloqueios e agressões militares contra povos inteiros, a classe trabalhadora brasileira precisa afirmar sua independência política diante de todos os governos e instituições que buscam conciliar com os interesses do capital. A defesa da democracia, para o SINTEF-GO, não se limita à preservação das instituições existentes, mas exige enfrentar o imperialismo, combater o neofascismo e lutar por um projeto próprio da classe trabalhadora, que confronte o ajuste fiscal, as privatizações, os cortes em educação e a criminalização dos movimentos sociais.

​Por isso, o SINTEF-GO convoca as/os trabalhadoras/es da educação, técnicas/os administrativas/os e estudantes do IFG e do IF Goiano a participar ativamente dos atos do dia 8 de janeiro, em Brasília e nas demais cidades, sob a bandeira da democracia sem anistia para golpistas, pelo veto integral ao PL da dosimetria e pela solidariedade ativa ao povo venezuelano diante da agressão imperialista. A presença organizada da nossa categoria nesses atos é parte da construção de uma alternativa de classe, internacionalista e combativa, capaz de enfrentar a extrema direita aqui e em todo o mundo, ombro a ombro com as trabalhadoras e os trabalhadores da Venezuela e de toda a América Latina.

Sintef-GO,

Na luta!

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