A Luta Pelo Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) dos TAEs e a Ameaça de Retrocesso com o PL 6.170/2025

A história da luta em torno do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) para as(os) Técnicas(os) Administrativas(os) em Educação (TAEs) na Rede Federal de Educação é um marco da luta sindical e um testemunho da capacidade de organização das(os) servidores públicas(os). Liderada pelo Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (SINASEFE), a conquista do RSC-TAE não é um presente governamental, mas sim o resultado de clareza quanto à importância da pauta e de anos de mobilização, culminando em momentos cruciais de discussão e negociação em torno da RSC para a categoria TAE, a exemplo da greve de 2024.

RSC: Valorização e Universalidade

A essência do RSC, na perspectiva progressista defendida pelo SINASEFE, reside no reconhecimento integral do valor do trabalho e da experiência acumulada. Para além da formação acadêmica, o RSC busca mensurar e remunerar a experiência prática, as entregas de trabalho e os conhecimentos construídos no cotidiano desse mesmo trabalho. Este é um princípio fundamental, pois valoriza o saber que emana da prática, democratizando o acesso à progressão na carreira e combatendo a hierarquia rígida que historicamente desvalorizou o trabalho das(os) TAEs.

O RSC, em sua concepção original e nos processos de negociação sindical por parte do SINASEFE, foi pautado por ser:

  1. universal: aplicável a todas(os) as(os) TAEs, sem cotas ou restrições.
  2. retroativo: reconhecendo e remunerando o tempo de serviço e a experiência já adquirida.
  3. integral: sem subordinação a limites orçamentários institucionais.

Esta visão se alinha com a defesa de um serviço público de qualidade, em que a valorização da servidora e do servidor é vista como investimento e não como despesa.

O PL nº 6170/2025: Ameaça de Retrocesso e Divisão

Em franco contraste com o espírito da conquista, o Projeto de Lei nº 6.170/2025, encaminhado ao Congresso Nacional em dezembro de 2025, surge como uma ameaça de desfiguração e um retrocesso imposto pelo governo. A forma como o PL foi construído, ignorando os debates e proposituras da CNS (Comissão Nacional de Supervisão do PCCTAE), já demonstrou um desrespeito aos pleitos e luta sindical.

A análise do PL nº 6.170/2025 aponta a introdução de mecanismos que visam minar a universalidade e a justiça na implementação da RSC, conforme fica demonstrado no quadro abaixo:

Ponto de Contraste RSC (Proposta CNS) PL nº 6170/2025 (Proposta Governamental) Análise/Divergências
Abrangência Universal, para todas(os) as(os) TAEs Limitada a 70% das(os) servidoras(es) ativas(os) por instituição Cria divisão e exclusão permanente, transformando um direito em disputa interna.
Retroatividade Reconhecimento do tempo de serviço anterior. Ausência de retroatividade Desvaloriza a história de trabalho e a experiência acumulada das(os) servidoras(es) mais antigas(os).
Orçamento Direito incondicional. Vinculação à disponibilidade orçamentária da instituição Subordina o reconhecimento do trabalho à austeridade fiscal, fragilizando o direito.
Aposentados Inclusão Proibição de concessão para aposentadas(os) ou futuras(os) aposentadas(os) Punição àquelas(es) que dedicaram suas vidas ao serviço público, negando o reconhecimento de sua trajetória.

 

A imposição de um limite de 70% é particularmente perversa, pois transforma o direito em uma cota, forçando a competição entre colegas e enfraquecendo a unidade da categoria. Ao vincular a concessão à disponibilidade orçamentária, o governo tenta transferir a responsabilidade da valorização para a gestão local, desobrigando-se de garantir o direito de forma plena.

A Luta Continua…

O RSC-TAE, que em sua concepção e sistematização como pauta sindical foi construída na base do SINASEFE, é um avanço civilizatório e um reconhecimento da complexidade e da importância do trabalho técnico-administrativo nas instituições de ensino. O PL nº 6.170/2025, em contrapartida, representa a tentativa do atual governo que, sob a máscara da regulamentação, busca submeter o RSC-TAE à lógica da austeridade fiscal e restringir este direito.

Nossa concepção e luta sindical demanda que o movimento sindical e a sociedade civil se mantenham em alerta máximo. A luta agora se desloca para o Congresso Nacional, onde é imperativo barrar os retrocessos do PL nº 6.170/2025 e garantir que o RSC-TAE seja implementado em sua plenitude: universal, retroativo e incondicional.

A valorização dos TAEs é um pilar para a construção de uma educação pública de qualidade e socialmente referenciada!

Seções Sindicais Águas Lindas, Formosa, Jataí, Rio Verde, Uruaçu, Urutaí e Sintef-GO/Seções Sindicais de Base Anápolis, Campos Belos, Ceres e Goiânia Oeste

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