O Sintef-GO repudia a recente agressão econômica do Governo Trump ao Brasil, por meio de carta do próprio Presidente em que informa que imporá tarifas de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. Tal agressão é violenta e própria do imperialismo (em crise) norte-americano.
Após enaltecer qualidades do ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmar que há “uma caça às bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE”, Trump justifica a aplicação das referidas tarifas em decorrência de “ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e à violação fundamental da liberdade de expressão dos americanos”. Com efeito, reage em defesa das Big Techs quando afirma que o “Supremo Tribunal Federal do Brasil, que emitiu centenas de ordens de censura SECRETAS e ILEGAIS a plataformas de mídia social dos EUA, ameaçando-as com multas de milhões de dólares e expulsão do mercado de mídia social brasileiro”. Para além de defender um dos eixos do poderio econômico global estadunidense, é certo que as BIG Techs se constituem em um dos principais instrumentos políticos e ideológicos dos Estados Unidos em escala mundial.
Também justifica a aplicação das tarifas em função de um suposto longo relacionamento comercial prejudicial aos Estados Unidos, que estaria apartado do princípio de reciprocidade. Justificativa falsa, como demonstram dados da balança comercial entre Brasil e Estados Unidos, de 2020 a 2025 (2020, superávit comercial para os Estados Unidos foi de US$ 6,9 bilhões; 2021, de US$ 8,2 bilhões; 2022, de US$ 13,9 bilhões; 2023, de US$ 1 bilhão; 2024, de US$ 300 milhões; e no 1º semestre de 2025, já alcançou US$ 1,7 bilhão).
Efetivamente, a agressão econômica do Governo Trump ao Brasil, sob a forma das tarifas de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados, deve ser situada de forma ampla, porque também se estende a outros países. Entre os objetivos subjacentes do Governo Trump, pode ser destacada a tentativa de ampliar a arrecadação de impostos sobre importações, que se manifestará como inflação no mercado interno norte-americano, incidindo principalmente sobre trabalhadoras/es e camadas populares daquele país.
A ampliação dessa arrecadação governamental tem em vista atenuar a queda de recursos governamentais acarretados pela redução de impostos sobre super-ricos (que financiam e apoiam Trump), criar capacidade de pagamento de juros da dívida norte-americana em rápida expansão (2025, projetado em US$ 952 bilhões) e manter os gigantescos gastos militares dos Estados Unidos (2025, projetado em US$ 849 bilhões). Apenas marginalmente visa proteger o mercado para empresas nacionais e estimular a reindustrialização do país.
A agressão econômica do Governo Trump também está relacionada à intensificação de relações econômicas do Brasil em relação à China e ao fato de o país atualmente presidir o BRICS (composto atualmente por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã). Trata-se de política orientada contra países, alianças e blocos político-econômicos que buscam desenvolvimento econômico autônomo, novo sistema de pagamento internacional e ordem mundial multilateral. Assim, o Governo Trump busca articular e compatibilizar a defesa do status mundial e da ordem do pós-guerra, edificados pelos Estados Unidos e Europa Ocidental, com a reafirmação do nacional-imperialismo estadunidense.
O Sintef-GO compreende ser fundamental que o governo Lula adote uma política externa verdadeiramente ativa, capaz de liderar a sociedade brasileira, a América Latina e o próprio BRICS no enfrentamento ao imperialismo dos Estados Unidos. É igualmente fundamental que o governo assuma uma postura de enfrentamento na sociedade brasileira às frações burguesas lacaias internas dos EUA, com destaque aos capitais bancários e financeiros.
Saliente-se que adoção dessa política e postura, para que possa contar com engajamentos da classe trabalhadora, da juventude e de todos os setores populares, tem de articular lutas e mobilizações contra o imperialismo e a extrema-direita golpista brasileira, com uma política econômica que rompa com o neoliberalismo e o arcabouço fiscal, ao mesmo tempo em que revogue contrarreformas neoliberais e promova reformas estruturais verdadeiramente progressistas (a exemplo da reforma agrária rural e urbana).
Em resumo, é imprescindível que a defesa da soberania nacional se faça acompanhada de uma reestruturação progressista e profunda da sociedade brasileira, amparada na mobilização da classe trabalhadora, da juventude e de todos os setores populares!
Contra o imperialismo, por um Brasil soberano estruturado sobre bases populares!
Pela autodeterminação dos povos!
Pela Palestina Livre!