{"id":5453,"date":"2026-01-17T18:44:14","date_gmt":"2026-01-17T18:44:14","guid":{"rendered":"https:\/\/sintef.org.br\/wp\/?p=5453"},"modified":"2026-01-17T19:01:45","modified_gmt":"2026-01-17T19:01:45","slug":"doutrina-donroe-o-corolario-trump-para-a-vassalizacao-da-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sintef.org.br\/wp\/2026\/01\/17\/doutrina-donroe-o-corolario-trump-para-a-vassalizacao-da-america-latina\/","title":{"rendered":"\u201cDOUTRINA DONROE\u201d: O COROL\u00c1RIO TRUMP PARA A VASSALIZA\u00c7\u00c3O DA AM\u00c9RICA LATINA"},"content":{"rendered":"<p>Passados 14 dias da agress\u00e3o imperialista estadunidense sobre a Venezuela, faz-se oportuna uma leitura acerca do processo mais amplo em que se insere a referida agress\u00e3o, bem como de seus desdobramentos efetivos e poss\u00edveis.<\/p>\n<p><strong>Democracia, soberania e isolamento regional da Venezuela no s\u00e9culo XXI<\/strong><\/p>\n<p>A Rep\u00fablica Bolivariana da Venezuela foi gestada a partir da revolta popular de 1989, denominada de \u201cCaracazo\u201d, que totalizou mais de mil v\u00edtimas entre mortos e desaparecidos. O levante popular contra as desigualdades, pobreza e mis\u00e9ria generalizada transformou profundamente a hist\u00f3ria do pa\u00eds sul-americano, regido por uma classe dominante predat\u00f3ria e antinacional, vassalizada pelos interesses das corpora\u00e7\u00f5es capital-imperialistas estadunidenses, tendo no petr\u00f3leo seu n\u00facleo estrutural. Assim sendo, esse capital-imperialismo operou na Venezuela, com o apoio de uma burguesia interna compradora, essencialmente golpista e fascistizada, cuja representa\u00e7\u00e3o e s\u00edmbolo se encontram na pol\u00edtica de repress\u00e3o e viol\u00eancia generalizada adotada pelo ent\u00e3o presidente, Carlos Andr\u00e9s Perez, com vincula\u00e7\u00f5es estreitas com a Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia (CIA), que reprimiu violentamente a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Destaca-se que a fr\u00e1gil, fragmentada e inexpressiva oposi\u00e7\u00e3o ao chavismo, tamb\u00e9m essencialmente golpista e fascistizada, \u00e9 constitu\u00edda por herdeiros de Perez que operam na Venezuela, via guerra h\u00edbrida (a\u00e7\u00f5es militares convencionais articuladas com a\u00e7\u00f5es de desinforma\u00e7\u00e3o, ciberataques, manipula\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, guerra psicol\u00f3gica, apoiadas por grupos internos oposicionista desarmados e\/ou armados, explorando vulnerabilidades sociais e pol\u00edticas com vista a desestabiliza\u00e7\u00e3o e queda de governos, de for\u00e7as pol\u00edtico-sociais ou mesmo de regimes pol\u00edticos) por procura\u00e7\u00e3o estadunidense, para fabricar crises, particularmente em processos eleitorais, a partir de lideran\u00e7as pol\u00edticas artificiais, tais como: Henrique Capriles Radonski (1972 \u2013 ), Juan Gerardo Guaid\u00f3 M\u00e1rquez (1983 \u2013 ) e Mar\u00eda Corina Machado Parisca (1967 \u2013 ). O mortic\u00ednio do \u201cCaracazo\u201d, provocado por Perez, recebe uma esp\u00e9cie de continuidade na pessoa de Corina Machado, que expressa a natureza colonial e fascistizada desta figura condecorada com um pr\u00eamio (Pr\u00eamio Nobel da Paz) que se converteu em instrumento neocolonial da guerra h\u00edbrida em curso no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em que pese o \u201cCaracazo\u201d ter sido derrotado, foi capaz de cultivar e enraizar uma nova cultura pol\u00edtica popular que viria a ser decisiva para o surgimento da lideran\u00e7a popular Hugo Ch\u00e1vez e do chavismo\u00a0 \u2015 movimento pol\u00edtico e ideol\u00f3gico que articula elementos de patriotismo socialista, bolivarianismo, organiza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica nos bairros urbanos e nas comunidades rurais (comunas) e integra\u00e7\u00e3o latino-americana. O jovem Hugo Ch\u00e1vez fazia parte da estrutura militar venezuelana e passou a liderar um processo de ruptura com a concep\u00e7\u00e3o colonial, presente na estrutura das for\u00e7as armadas venezuelanas, tra\u00e7o tamb\u00e9m comum em todas as for\u00e7as armadas da Am\u00e9rica Latina. Os germes do \u201cCaracazo\u201d culminaram na tentativa de derrubada de Carlos Andr\u00e9s Perez por militares (sob lideran\u00e7a do ent\u00e3o tenente-coronel Hugo Ch\u00e1vez) no movimento de 1992, na elei\u00e7\u00e3o de Ch\u00e1vez em 1998 e posse em 1999 e no enfrentamento vitorioso \u00e0 tentativa de golpe de Estado e sequestro de Ch\u00e1vez nos acontecimentos de 11, 12 e 13 de abril de 2002. Desde o governo Ch\u00e1vez, denunciava-se a tentativa dos EUA de aplicar o chamado \u201cM\u00e9todo Noriega\u201d (acusar o chefe de Estado\/governo de ser narcotraficante, impulsionar a referida acusa\u00e7\u00e3o por meio do sistema internacional de m\u00eddia ocidental, justificar agress\u00e3o imperialista ao pa\u00eds e pris\u00e3o do chefe de Estado\/governo e conduzir a julgamento dissimulado em um tribunal corrupto nos Estados Unidos previamente articulado que efetua a condena\u00e7\u00e3o), com a finalidade de mudan\u00e7a de regime, cujo n\u00facleo se encontrava em forjar e difundir a ideologia de que o Estado venezuelano e seu governo seriam narcoterroristas.<\/p>\n<p>Frente \u00e0s adversidades e crises, o chavismo fortaleceu-se, enraizou-se e consolidou-se, ao longo do s\u00e9culo XXI, n\u00e3o podendo ser definido e caracterizado como novo tipo de caudilhismo, como a intelectualidade liberal-burguesa, particularmente a sua fra\u00e7\u00e3o liberal-social, tenta caracterizar. Tal intelectualidade, que defendia que o chavismo desapareceria com a morte de Chavez em 2013 e a campanha de detrata\u00e7\u00e3o de Nicol\u00e1s Maduro, comemorou seu sequestro e pris\u00e3o ilegal. Todavia, como a hist\u00f3ria demonstrou o inverso, com resist\u00eancia venezuelana chavista ao capital-imperialismo estadunidense, teve curso um processo com constantes e progressivos bloqueios pol\u00edticos, econ\u00f4micos, socioculturais e militares, iniciado pelo governo Clinton e continuado por todos os governos estadunidenses desde ent\u00e3o, obedecendo \u00e0 l\u00f3gica de escalada, com clara supremacia da militariza\u00e7\u00e3o e campanha de detrata\u00e7\u00e3o das imagens das lideran\u00e7as do chavismo, at\u00e9 se chegar \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de ocupa\u00e7\u00e3o militar sistem\u00e1tica e org\u00e2nica do Mar do Caribe, coagindo e amea\u00e7ando pelas armas a soberania da Venezuela e de todos os demais pa\u00edses da regi\u00e3o e da Am\u00e9rica Latina como um todo.<\/p>\n<p>Deve-se destacar que, sob o chavismo, a Venezuela realizou mais de 30 processos eleitorais e conta com amplo e enraizado apoio popular. O fato de n\u00e3o obedecer aos modelos e procedimentos normativos, descritivos e formais pol\u00edtico-ideol\u00f3gicos e econ\u00f4micos do que o Ocidente Coletivo (EUA, Europa Ocidental, Canad\u00e1, Austr\u00e1lia e Nova Zel\u00e2ndia) \u2015 definidos por seus vassalos como democracias liberais representativas (ou liberalismo pol\u00edtico, diga-se de passagem, em crise) e economia de mercado (ou liberalismo econ\u00f4mico, igualmente em crise), atendo-se aqui apenas \u00e0 quest\u00e3o pol\u00edtico-ideol\u00f3gica \u2015 n\u00e3o significa que a Venezuela n\u00e3o seja democr\u00e1tica. Certamente, n\u00e3o obedece \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de democracia do Ocidente Coletivo, a partir da qual se compreende como natural e aceit\u00e1vel invadir militarmente um pa\u00eds soberano, sequestrar e prender (ilegalmente) seu presidente, como ardil para legitimar a domin\u00e2ncia estadunidense hemisf\u00e9rica e o saque dos seus recursos e riquezas naturais.<\/p>\n<p><strong>Brasil e sua recente posi\u00e7\u00e3o em desfavor do fortalecimento da Venezuela e integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina<\/strong><\/p>\n<p>Destaca-se que a Venezuela chavista \u00e9 uma aliada estrat\u00e9gica, na Am\u00e9rica Latina, tanto de Moscou quanto de Pequim. Em que pese o papel estrat\u00e9gico do Brasil na regi\u00e3o, o terceiro governo Lula n\u00e3o reconheceu a legitimidade das elei\u00e7\u00f5es venezuelanas e vetou a entrada da Venezuela nos BRICS (bloco de coopera\u00e7\u00e3o internacional atualmente composto de Brasil, R\u00fassia, \u00c1frica do Sul, Ar\u00e1bia Saudita, China, Egito, Emirados \u00c1rabes Unidos, Eti\u00f3pia, \u00cdndia, Indon\u00e9sia e Ir\u00e3), em claro aceno ao governo Trump, no \u00e2mbito externo, e ao eleitorado social-liberal e neoconservador brasileiro, no \u00e2mbito interno. Trata-se da perpetua\u00e7\u00e3o da linha de atua\u00e7\u00e3o conservadora e por vezes autocr\u00e1tica da diplomacia brasileira, fundamentada na ambiguidade t\u00e1tica. Tais a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas redundaram em enorme regress\u00e3o ao ideal de integra\u00e7\u00e3o latino-americana, imprescind\u00edvel \u00e0 resist\u00eancia ao capital-imperialismo estadunidense, resultando numa (des)orienta\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p>Efetivamente, tratou-se de alinhamento velado de Bras\u00edlia a Washington, como forma de isolar a Venezuela na regi\u00e3o e bloquear e\/ou dificultar parcerias estrat\u00e9gicas estabelecidas com China e R\u00fassia. Ap\u00f3s tr\u00eas anos, o terceiro governo Lula tamb\u00e9m n\u00e3o adotou nenhuma medida de pol\u00edtica externa voltada para a reintegra\u00e7\u00e3o da Venezuela no Mercado Comum do Sul\u00a0(MERCOSUL), do qual a Venezuela est\u00e1 suspensa desde 5 de agosto de 2017 \u2015 em articula\u00e7\u00e3o liderada \u00e0 \u00e9poca pelos governos Macri na Argentina e Temer no Brasil, como parte da pol\u00edtica de isolamento e press\u00e3o militar sobre a Venezuela, impetrada pelo primeiro governo Trump, justificada por suposta ruptura da ordem democr\u00e1tica. O governo Lula tampouco levou adiante a reintegra\u00e7\u00e3o da Venezuela na Uni\u00e3o de Na\u00e7\u00f5es Sul-Americanas (UNASUL).<\/p>\n<p>Nesse sentido, o Brasil, pa\u00eds estrat\u00e9gico da regi\u00e3o, sendo o \u00fanico com recursos pol\u00edticos e econ\u00f4micos em condi\u00e7\u00f5es de respaldar a lideran\u00e7a de um processo de unifica\u00e7\u00e3o latino-americana, declinou de suas responsabilidades \u00e9tico-pol\u00edticas elementares de defesa da soberania nacional e regional. Pode-se dizer que o terceiro governo Lula, objetivando aproximar-se do governo Trump, principalmente ap\u00f3s a implementa\u00e7\u00e3o do seu tarifa\u00e7o, adotou uma pol\u00edtica externa de isolamento e bloqueio velado da Venezuela na regi\u00e3o, contribuindo indiretamente para a derrubada de Maduro e a tentativa de mudan\u00e7a de regime na Venezuela. Ante a invas\u00e3o militar estadunidense, o assassinato de 100 pessoas entre militares (venezuelanos e cubanos) e civis (venezuelanos), o sequestro e a pris\u00e3o (ilegal) do presidente constitucional venezuelano, o governo brasileiro limitou-se a emitir uma nota aparentemente cr\u00edtica, sem citar o nome do agressor e utilizando o termo difundido pelo sistema de corpora\u00e7\u00f5es monopolistas midi\u00e1ticos \u2013 \u201ccaptura do presidente\u201d \u2013, tentando relativizar o sequestro e a pris\u00e3o ilegal, como forma de conferir alguma legalidade \u00e0 a\u00e7\u00e3o militar. A nota sequer menciona a necessidade de se respeitar a soberania da Venezuela e muito menos toca na quest\u00e3o central: defesa e liberta\u00e7\u00e3o imediata de Nicol\u00e1s Maduro e de Cilia Flores, sua esposa. Coube ao fr\u00e1gil governo Gustavo Petro da Col\u00f4mbia convocar reuni\u00e3o da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC) para tratar da quest\u00e3o da invas\u00e3o militar dos EUA a Venezuela, que foi realizada virtualmente no dia 4 de janeiro de 2026, sem que nenhuma posi\u00e7\u00e3o de consenso nem manifesta\u00e7\u00e3o conjunta fosse constru\u00edda pelos seus 33 membros ao final de sua realiza\u00e7\u00e3o. O Brasil foi representado pelo ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Mauro Vieira, ainda que a gravidade da quest\u00e3o exigisse a presen\u00e7a do presidente da rep\u00fablica. O mesmo governo da Col\u00f4mbia encaminhou solicita\u00e7\u00e3o de reuni\u00e3o de emerg\u00eancia do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, ocorrida em 5 de janeiro de 2026, que reiterou a necessidade de respeito \u00e0 Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas e a todos os outros quadros jur\u00eddicos aplic\u00e1veis \u200b\u200bpara salvaguardar a paz e a seguran\u00e7a, bem como aos princ\u00edpios de soberania, independ\u00eancia pol\u00edtica e integridade territorial dos Estados.<\/p>\n<p><strong>Escalada imperialista, cen\u00e1rio atual e riscos geopol\u00edticos para a Am\u00e9rica Latina<\/strong><\/p>\n<p>Donald Trump afirmou que pretende governar a Venezuela, pois, segundo ele, n\u00e3o existem alternativas pol\u00edticas leg\u00edtimas internas para governar o pa\u00eds. Tamb\u00e9m afirmou que Corina Machado n\u00e3o teria condi\u00e7\u00f5es e legitimidade para governar, em que pese ter recebido o Pr\u00eamio Nobel (Neocolonial) da Paz, transformado em instrumento de guerra h\u00edbrida. Nesse sentido, o bloqueio a\u00e9reo e naval permanece, com possibilidades reais de novas incurs\u00f5es militares, visto que o presidente foi sequestrado, mas o regime chavista n\u00e3o foi derrubado. Tudo indica que Trump utilizar\u00e1 o cerco naval, a\u00e9reo e terrestre, bem como o sequestro e pris\u00e3o ilegal do presidente constitucional venezuelano, como forma de forjar press\u00e3o interna e externa para que o Parlamento decrete a vac\u00e2ncia do cargo de presidente, como forma de acionar o dispositivo constitucional venezuelano que determina a convoca\u00e7\u00e3o de novas elei\u00e7\u00f5es em caso de vac\u00e2ncia, no prazo de 90 dias. Todavia, deve-se destacar que o governo, comandado pela ent\u00e3o vice-presidente e atual presidenta interina Delcy Elo\u00edna Rodr\u00edguez G\u00f3mez, respaldada constitucionalmente pelo Tribunal Supremo de Justi\u00e7a (TSJ), Assembleia Nacional (AN) e For\u00e7a Armada Nacional Bolivariana (FANB), resiste e declarou que o \u00fanico presidente da Venezuela \u00e9 Nicol\u00e1s Maduro.<\/p>\n<p>Tudo indica que o regime chavista seguir\u00e1 a estrat\u00e9gia adotada por Maduro, fundamentada em uma solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica de negocia\u00e7\u00e3o e defesa da soberania nacional, como forma de ganhar tempo para se rearticular interna e externamente, seja mobilizando as for\u00e7as populares e sociais internas, seja articulando rela\u00e7\u00f5es de solidariedade e alian\u00e7as internacionais para pressionar o trumpismo belicista. Diante desse cen\u00e1rio, por sua vez, o governo Trump tem tr\u00eas alternativas: i. negociar com o regime chavista e adiar novas iniciativas de subordina\u00e7\u00e3o neocolonial da Venezuela, mas assegurando participa\u00e7\u00e3o destacada dos Estados Unidos (ao lado da China) na explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo e demais recursos naturais da Venezuela; ii. aumentar os elementos de dissuas\u00e3o militar e intensificar a\u00e7\u00f5es de desestabiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-social pelo apoio e financiamento da oposi\u00e7\u00e3o golpista facistizada, para ter acesso a concess\u00f5es econ\u00f4micas extraordin\u00e1rias e restringir acesso da China ao petr\u00f3leo e demais recursos naturais da Venezuela; e iii. realizar incurs\u00f5es militares em larga escala e\/ou promover decapita\u00e7\u00e3o da lideran\u00e7a pol\u00edtica e militar do regime chavista, como forma de derrubar o regime pela for\u00e7a das armas, impor um governo completamente vassalizado por Washington, apropriar integralmente do petr\u00f3leo e demais recursos naturais da Venezuela, impedindo acesso da China a esses recursos. Tais iniciativas, que podem transitar de uma \u00e0 outra a depender das lutas sociopol\u00edticas internas \u00e0 Venezuela e de posicionamentos e articula\u00e7\u00f5es internacionais, integra uma constela\u00e7\u00e3o de prop\u00f3sitos estrat\u00e9gicos, entre os quais se destacam: reafirmar controle e domin\u00e2ncia estadunidense sobre a Am\u00e9rica Latina; avan\u00e7ar o controle estadunidense sobre regi\u00f5es e pa\u00edses que possuem grandes reservas de petr\u00f3leo\/g\u00e1s e de minerais cr\u00edticos (ouro, prata, terras raras) e\/ou usufruem de localiza\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica nas rotas de transporte de mat\u00e9rias primas, suprimentos e produtos; impor restri\u00e7\u00e3o e\/ou pre\u00e7os exorbitantes para a China ter acesso a esses recursos naturais; e reafirmar o d\u00f3lar como moeda b\u00e1sica das opera\u00e7\u00f5es comerciais de energia e de minerais cr\u00edticos.<\/p>\n<p>Nesse contexto, defender a autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos e a solidariedade \u00e0 Venezuela chavista implica necessariamente assegurar o princ\u00edpio e defesa da soberania de todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, claramente amea\u00e7ados militarmente pelo \u201cCorol\u00e1rio (entendimento, interpreta\u00e7\u00e3o, desenvolvimento) Trump\u201d da Doutrina Monroe, criada pelo governo James Monroe (1817-1825) em 1823. Saliente-se que para muitos efetivamente nos encontramos sob a <em>\u201cDoutrina Donroe\u201d<\/em> de Trump, uma esp\u00e9cie de imperialismo mafioso que integra a pol\u00edtica imperialista prevista pela \u201cDoutrina Monroe\u201d \u00e0s a\u00e7\u00f5es mafiosas de Don Corleoni, imortalizadas nos filmes O Poderoso Chef\u00e3o. Quadro mais do que reiterado no atual capital-imperialismo estadunidense trumpista, que, no \u00faltimo dia 7 de janeiro de 2026, assinou uma ordem executiva para retirar os Estados Unidos de 66 organiza\u00e7\u00f5es internacionais e deixar de participar de tratados internacionais, incluindo a retirada de 31 entidades da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). Trata-se da implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica \u201cturbo\u201d capital-imperialista, que lan\u00e7ar\u00e1 m\u00e3os de todos os meios\/recursos para alcan\u00e7ar seus fins\/objetivos, desconhecendo o chamado Direito Internacional, ou qualquer organismo, organiza\u00e7\u00e3o, entidade ou acordo internacional que possa apresentar qualquer n\u00edvel de refreamento aos meios\/recursos empregados e aos fins\/objetivos a serem alcan\u00e7ados.<\/p>\n<p>Em face dessa realidade, \u00e9 fundamental que ocorra uma mudan\u00e7a t\u00e1tica e estrat\u00e9gica na pol\u00edtica externa do governo Lula para Am\u00e9rica Latina, sob pena de, em um futuro pr\u00f3ximo, o Brasil e outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina serem alvos de novas agress\u00f5es do capital-imperialismo estadunidense, seja sob formas militares abertas, seja sob forma de guerras h\u00edbridas.<\/p>\n<p><strong>Somamos nossas vozes aos povos livres do planeta e exigimos a liberta\u00e7\u00e3o imediata de Nicol\u00e1s Maduro e sua esposa Cilia Flores e nos colocamos nas fileiras de defesa de princ\u00edpios e movimentos anticapitalistas e anti-imperialistas!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Goi\u00e2nia, 17 de janeiro de 2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Prof. Dr. Marcelo Lira Silva (Filiado ao Sintef-GO)<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/sintef.org.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/DOUTRINA-DONROE_Marcelo_Lira.pdf\" class=\"mtli_attachment mtli_pdf\">Clique aqui para ler o texto em PDF<\/a>.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 8pt;\">Charge\/cr\u00e9dito: Nando Motta\/Brasil 247<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passados 14 dias da agress\u00e3o imperialista estadunidense sobre a Venezuela, faz-se oportuna uma leitura acerca do processo mais amplo em que se insere a referida agress\u00e3o, bem como de seus desdobramentos efetivos e poss\u00edveis. 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