{"id":4935,"date":"2025-01-17T19:27:50","date_gmt":"2025-01-17T19:27:50","guid":{"rendered":"https:\/\/sintef.org.br\/wp\/?p=4935"},"modified":"2025-04-09T18:39:31","modified_gmt":"2025-04-09T18:39:31","slug":"nota-de-posicionamento-do-sintef-go-acerca-dos-retrocessos-referentes-ao-controle-eletronico-de-frequencia-e-ao-recesso-dos-servidores-taes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sintef.org.br\/wp\/2025\/01\/17\/nota-de-posicionamento-do-sintef-go-acerca-dos-retrocessos-referentes-ao-controle-eletronico-de-frequencia-e-ao-recesso-dos-servidores-taes\/","title":{"rendered":"NOTA DE POSICIONAMENTO DO SINTEF-GO ACERCA DOS RETROCESSOS REFERENTES AO CONTROLE ELETR\u00d4NICO DE FREQU\u00caNCIA E AO RECESSO DOS SERVIDORES TAES"},"content":{"rendered":"<p>O Plano Anual de Auditoria Interna (PAINT) de 2024, aprovado pela Resolu\u00e7\u00e3o n\u00b0 192\/2023 &#8211; Consup\/IFG, de 19 de dezembro de 2023, baseado nos dados coletados das unidades gestoras por meio da metodologia Auditoria Baseada em Riscos (ABR), definiu as atividades\/processos que apresentaram maior risco e demonstraram grandes fragilidades. Entre eles, foi prevista a avalia\u00e7\u00e3o da frequ\u00eancia dos servidores t\u00e9cnico-administrativos em educa\u00e7\u00e3o (TAEs) de todas as unidades gestoras com o objetivo de avaliar a efetividade dos mecanismos de controle e do cumprimento das jornadas de trabalho, em conformidade com a Portaria Normativa n\u00ba 14 &#8211; Reitoria\/IFG, de 1\u00ba de novembro de 2019.<\/p>\n<p>Portanto, por meio da Ordem de Servi\u00e7o n\u00ba 3\/2024, publicada em 4 de abril de 2024, foi iniciada a auditoria da frequ\u00eancia dos TAEs em todas as unidades gestoras do IFG. Durante os trabalhos, a auditoria realizada sobre o controle de registro de frequ\u00eancia de tais\u00a0 servidores, referente ao per\u00edodo de janeiro a mar\u00e7o de 2024, identificou diversos registros no SUAP, na se\u00e7\u00e3o de observa\u00e7\u00f5es, na qual os servidores mencionaram \u201cper\u00edodo de recesso administrativo de duas semanas&#8221;. Esse recesso foi autorizado para 2024 por interm\u00e9dio do Memorando-Circular n\u00ba 19\/2023 &#8211; Reitoria\/IFG, datado de 16 de outubro de 2023. Diante da constata\u00e7\u00e3o, no dia 24 de setembro de 2024, a Auditoria Interna solicitou esclarecimentos e posicionamento da Reitoria do IFG, por meio da Solicita\u00e7\u00e3o de Auditoria &#8211; S.A n\u00ba 31\/2024 &#8211; AI\/Reitoria\/IFG. Segundo a compreens\u00e3o da Auditoria Interna, tratava-se de uma concess\u00e3o irregular porque descumpria a Portaria MGI n\u00ba 8.617, de 26 de dezembro de 2023, a Portaria SRT\/MGI n\u00ba 5.503, de 20 de setembro de 2023, bem como os princ\u00edpios da legalidade e da indisponibilidade do interesse p\u00fablico.<\/p>\n<p>No dia 30 de outubro de 2024, o presidente do Sintef-GO foi convidado, via Whatsapp, para participar de uma reuni\u00e3o com a Reitoria do IFG no dia 1\u00ba de novembro de 2024. A pauta apresentada, sem mais detalhes, estabelecia que seriam tratadas quest\u00f5es relacionadas ao recesso dos TAEs. Prontamente aceitamos o convite. Na ocasi\u00e3o, estavam presentes, por parte da gest\u00e3o do IFG, Oneida Cristina Gomes Barcelos Irigon, Reitora do IFG, e Sandra Abadia Ferreira, Pr\u00f3-Reitora de Desenvolvimento Institucional. Tamb\u00e9m compareceram o servidor Evaldo Gon\u00e7alves Dias, representando a Se\u00e7\u00e3o Sindical do SINASEFE &#8211; C\u00e2mpus Jata\u00ed, que acompanhou remotamente, e tamb\u00e9m representantes do Sintifes-GO (Fernando Cesar Silva da Mota, Shilton Caldeira Nunes &#8211; C\u00e2mpus Goi\u00e2nia Oeste, Marcelo Pereira Ramos &#8211; C\u00e2mpus Senador Canedo).<\/p>\n<p>Primeiramente, a Reitoria apresentou o conte\u00fado da Portaria SRT\/MGI n\u00ba 7.200, de 27 de setembro de 2024, que estabelece orienta\u00e7\u00f5es aos \u00f3rg\u00e3os e \u00e0s entidades integrantes da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica federal direta, aut\u00e1rquica e fundacional acerca do recesso para comemora\u00e7\u00e3o das festas de final de ano. Em linhas gerais, a portaria determina que o servidor pode optar por gozar o recesso de tr\u00eas dias no Natal (23 a 27 de dezembro de 2024) ou no Ano Novo (30 de dezembro de 2024 a 3 de janeiro de 2025). Contudo, ao aderir ao recesso, o servidor fica obrigado a repor a carga hor\u00e1ria referente aos tr\u00eas dias de trabalho at\u00e9 o dia 31 de maio de 2025. Via de regra, essa reposi\u00e7\u00e3o tem de ser realizada em horas, com algumas ressalvas aos servidores aderidos ao PGD. Posto isto, a gest\u00e3o da Reitoria informou que emitiria as orienta\u00e7\u00f5es institucionais prevendo a possibilidade de reposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m por meio da realiza\u00e7\u00e3o de cursos e atividades de forma\u00e7\u00e3o com carga hor\u00e1ria equivalente, at\u00e9 a data limite prevista na portaria. Em seguida, fomos informados pela gest\u00e3o que, a partir do ano de 2025, o recesso de 14 dias consecutivos n\u00e3o mais seria concedido aos servidores TAEs, uma vez que a insist\u00eancia na concess\u00e3o, nos moldes atuais, incorreria em ilegalidades que poderiam ser alvo de penalidades pelos \u00f3rg\u00e3os de controle. Para tentar contornar a situa\u00e7\u00e3o, a gest\u00e3o apresentou a proposta de adequar a concess\u00e3o do recesso para o que chamou de \u201cConcess\u00e3o de 14 dias para realiza\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es de desenvolvimento\u201d. Essa nova modalidade prev\u00ea que o servidor disponha de 14 dias para realizar a\u00e7\u00f5es de desenvolvimento na \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o (cursos, programas de capacita\u00e7\u00e3o etc.) desde que possam ser certificadas, a fim de comprovar carga hor\u00e1ria compat\u00edvel ao per\u00edodo (60 horas). As orienta\u00e7\u00f5es detalhadas caberiam a cada c\u00e2mpus do IFG. Evidenciamos que a decis\u00e3o da Reitoria j\u00e1 estava tomada, n\u00e3o se tratando de uma consulta sindical, e seria apresentada na pr\u00f3xima reuni\u00e3o do Col\u00e9gio de Dirigentes como informe para a implementa\u00e7\u00e3o nos c\u00e2mpus\/Reitoria.<\/p>\n<p>Com a palavra, enfatizamos o retrocesso que a medida estabelecia, visto que, na pr\u00e1tica, suprimia uma conquista hist\u00f3rica dos servidores TAEs do IFG. Denunciamos tamb\u00e9m a forma punitivista posta para sua concess\u00e3o e reposi\u00e7\u00e3o da carga hor\u00e1ria e a problem\u00e1tica posta pela implementa\u00e7\u00e3o do controle eletr\u00f4nico de ponto. Por fim, a Reitoria ponderou que essa seria a \u00fanica forma encontrada para contornar a situa\u00e7\u00e3o e manter a concess\u00e3o do recesso.<\/p>\n<p>No dia 4 de novembro de 2024, realizou-se, de maneira remota, a reuni\u00e3o do Col\u00e9gio de Dirigentes. Pelo que compreendemos, foi nessa reuni\u00e3o que a Reitoria comunicou aos Diretores-Gerais e demais dirigentes a decis\u00e3o tomada. Posto isso, a Reitoria publicou o Memorando-Circular n\u00ba 18\/2024 &#8211; Reitoria\/IFG, informando a concess\u00e3o de 14 dias condicionada \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es de desenvolvimento.<\/p>\n<p>No dia 13 de novembro de 2024, a Reitoria respondeu \u00e0 Solicita\u00e7\u00e3o de Auditoria &#8211; S.A n\u00ba 31\/2024 &#8211; AI\/Reitoria\/IFG, por meio do Memorando n\u00ba 65\/2024 &#8211; Reitoria\/IFG, no qual, em s\u00edntese, afirma que a concess\u00e3o de um recesso administrativo de 14 dias n\u00e3o se mostra compat\u00edvel com as disposi\u00e7\u00f5es legais e viola os princ\u00edpios da legalidade e da indisponibilidade do interesse p\u00fablico e que proceder\u00e1 \u00e0s adequa\u00e7\u00f5es administrativas necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>O resultado da Auditoria Interna foi apresentado por meio do Relat\u00f3rio de Auditoria n\u00ba 6\/2024, publicado em 31 de dezembro de 2024. O referido relat\u00f3rio aponta que, durante a auditoria realizada sobre o controle de registro de frequ\u00eancia dos TAEs, referente ao per\u00edodo de janeiro a mar\u00e7o de 2024, foram identificados diversos registros no SUAP, na se\u00e7\u00e3o de observa\u00e7\u00f5es, em que os servidores mencionaram \u201cper\u00edodo de recesso administrativo de duas semanas\u201d. Como j\u00e1 mencionado, esse recesso foi autorizado para 2024 por interm\u00e9dio do Memorando-Circular n\u00ba 19\/2023 &#8211; Reitoria\/IFG, de 16 de outubro de 2023. A despeito da anu\u00eancia indicada no Memorando-Circular, o relat\u00f3rio indica que \u201ca proposta de recesso carece de adequa\u00e7\u00e3o normativa, salvo se houver uma fundamenta\u00e7\u00e3o excepcional que justifique a flexibiliza\u00e7\u00e3o das normas gerais <strong>e que observe a necessidade de compensa\u00e7\u00e3o das horas devidas<\/strong> ou a preserva\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os essenciais da Institui\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Embora saibamos que a Auditoria Interna n\u00e3o obriga, mas recomenda, a Recomenda\u00e7\u00e3o 01 &#8211; 6\/2024, que orienta a anula\u00e7\u00e3o (desfazimento) da concess\u00e3o do recesso administrativo para o ano de 2024, concedida pela Reitora por meio do Memorando-Circular 19\/2023, traz um in\u00edcio de 2025 bastante desmotivador para os TAEs, pois evidencia a condi\u00e7\u00e3o de total vulnerabilidade em que s\u00e3o colocados. Vencido o ano de 2024, \u00e9 aterradora a descoberta de que o recesso de 2024 \u2013 referendado por memorando emitido pela Reitora e j\u00e1 usufru\u00eddo \u2013\u00a0 pode ser anulado, ocasionando a todos os servidores um d\u00e9bito de 60 horas de trabalho a serem compensadas de alguma maneira. N\u00e3o podemos aceitar isso sequer como hip\u00f3tese. O que podemos constatar \u00e9 que a boa-f\u00e9, objeto de tantas decis\u00f5es em jurisprud\u00eancias, n\u00e3o foi sequer cogitada para a an\u00e1lise dos fatos, tendo seu lugar roubado por uma ideia de legalidade totalmente desvinculada de qualquer contextualiza\u00e7\u00e3o e respeito por esses trabalhadores, que, nesse vi\u00e9s, passam a ser respons\u00e1veis pelo \u00f4nus at\u00e9 das decis\u00f5es de gest\u00e3o.<\/p>\n<p>Ressaltamos que a decis\u00e3o pol\u00edtica adotada pela Reitoria contraria uma conquista hist\u00f3rica dos servidores TAEs do IFG, reafirmada por v\u00e1rias gest\u00f5es anteriores. Que fique claro, o recesso usufru\u00eddo pelos TAEs do IFG constitui conquista de mobiliza\u00e7\u00e3o e luta dos servidores em geral e do Sintef-GO em particular, desde o in\u00edcio dos anos 1990, ainda com a Escola T\u00e9cnica Federal de Goi\u00e1s. Trata-se de processo que n\u00e3o ocorreu nem ocorre com preju\u00edzo para a institui\u00e7\u00e3o, que, sem funcionamento acad\u00eamico pleno, resguarda o atendimento das comunidades internas e externas, mediante revezamento de cada setor. Logo, diferentemente do que est\u00e1 dito, n\u00e3o estamos apenas fazendo um ajustamento legal dos \u00faltimos dez anos, s\u00e3o mais de tr\u00eas d\u00e9cadas de garantia de recesso administrativo aos TAEs concomitante ao recesso acad\u00eamico.<\/p>\n<p>A\u00a0 decis\u00e3o de \u2018modernizar\u2019 a concess\u00e3o do recesso foi tomada previamente \u00e0 publica\u00e7\u00e3o do Relat\u00f3rio da Auditoria Interna, desconsiderando o di\u00e1logo com as entidades sindicais que, por sua vez, foram apenas comunicadas de antem\u00e3o pela gest\u00e3o. \u00c9 v\u00e1lido pontuar que o tema, at\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 alvo de auditoria por parte dos \u00f3rg\u00e3os de controle externos. Dessa forma, n\u00e3o \u00e9 pass\u00edvel, por enquanto, de qualquer tipo de san\u00e7\u00f5es ou penalidades. O Relat\u00f3rio da Auditoria Interna tem a fun\u00e7\u00e3o de assessorar a gest\u00e3o em temas espec\u00edficos e apontar poss\u00edveis inconsist\u00eancias para a tomada de decis\u00f5es e n\u00e3o determinar pr\u00e1ticas t\u00edpicas de gest\u00e3o.<\/p>\n<p>Destacamos que o\u00a0 avan\u00e7o das pol\u00edticas neoliberais associadas \u00e0 regress\u00e3o pol\u00edtica em curso na sociedade brasileira, que re\u00fane elementos de conservadorismo moral e de concep\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas autocr\u00e1ticas, autorit\u00e1rias e legalistas, t\u00eam potencializado a atua\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os de controle (CGU e TCU) nessa dire\u00e7\u00e3o. Posto que a Auditoria Interna atua em sintonia com tais institui\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m incorpora tais elementos em sua atua\u00e7\u00e3o. Dessa maneira, autorizados por suas prerrogativas legais e acomodados dentro dos seus objetivos aparentemente t\u00e9cnicos, correcionais e preventivos, determinam e\/ou orientam a\u00e7\u00f5es e posturas por parte das gest\u00f5es das institui\u00e7\u00f5es que v\u00e3o contra os direitos e interesses da classe trabalhadora, dos servi\u00e7os p\u00fablicos e da autonomia institucional. O Sintef-GO, em assembleias gerais e em posicionamentos pol\u00edticos, tanto no \u00e2mbito do IFG quanto do IF Goiano, t\u00eam discutido e chamado aten\u00e7\u00e3o para esta movimenta\u00e7\u00e3o, na perspectiva de compreender, conjuntamente com a sua base, como o contexto pol\u00edtico, social e econ\u00f4mico atual tem moldado a atua\u00e7\u00e3o dessas entidades.<\/p>\n<p>Como entidade de trabalhadoras e trabalhadores da educa\u00e7\u00e3o, o Sintef-GO luta pela gest\u00e3o democr\u00e1tica e participativa, pelos direitos destas e destes e por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, assim como combate a perspectiva do trabalho hier\u00e1rquico alienando e repudia todas as formas de pol\u00edticas que brotam do neoliberalismo. Por isso mesmo entendemos que o foco deve ser a valoriza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e da educa\u00e7\u00e3o, melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, conforme demonstrado pelas lutas sindicais que travamos, sobretudo em 2024. Estamos certos de que o ponto eletr\u00f4nico n\u00e3o garante condi\u00e7\u00f5es de trabalho nem qualifica o trabalho e em nada tem potencial para melhorar a educa\u00e7\u00e3o ofertada nos Institutos Federais. Desde muito antes da implementa\u00e7\u00e3o, combatemos veementemente esse instrumento de controle, entendendo-o como forma de vigil\u00e2ncia, capaz de desdobrar em persegui\u00e7\u00e3o e ass\u00e9dio, numa perspectiva pautada na l\u00f3gica do \u201cvigiar e punir\u201d, como demonstrado pelos relat\u00f3rios citados.<\/p>\n<p>A aparente moderniza\u00e7\u00e3o e efic\u00e1cia no servi\u00e7o p\u00fablico que o ponto eletr\u00f4nico sinaliza \u2013 gerando uma ideia de credibilidade e transpar\u00eancia \u2013 s\u00e3o na verdade um retrocesso para os trabalhadores e para a pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o. Para os TAEs, o resultado \u00e9 um desest\u00edmulo generalizado e casos n\u00e3o isolados de adoecimento laboral, uma vez que h\u00e1 o apagamento de sua humanidade, em uma atua\u00e7\u00e3o gerida pela desconfian\u00e7a di\u00e1ria. Em vez de se partir das premissas de que os TAEs est\u00e3o todos no IFG para trabalhar, conscientes de sua importante fun\u00e7\u00e3o para o fluxo e funcionamento da institui\u00e7\u00e3o, e de que \u00e9 a qualidade do servi\u00e7o prestado que deve conduzir a an\u00e1lise do cumprimento ou n\u00e3o do of\u00edcio de cada servidor, o que se coloca em relevo \u00e9 o controle punitivo e burocratizado, que requer constantes e permanentes justificativas bilaterais e documentos comprobat\u00f3rios de toda natureza. Isso desumaniza a vida do trabalhador e as rela\u00e7\u00f5es de trabalho e hierarquiza ainda mais tais rela\u00e7\u00f5es, a tal ponto que as nuances e as intemp\u00e9ries do cotidiano humano deixam de existir, esmagadas por um formato baseado na desconfian\u00e7a, que requer comprova\u00e7\u00e3o escrita e documental de cada a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ademais, essa obrigatoriedade, que remete a um modelo fordista, assinala a aus\u00eancia de compreens\u00e3o da complexidade do trabalho nos Institutos Federais, nos quais transita de forma indissoci\u00e1vel o trip\u00e9 ensino-pesquisa-extens\u00e3o e transita, tamb\u00e9m de forma indissoci\u00e1vel, outro trip\u00e9: docente-TAE-discente. Embora seja uma atua\u00e7\u00e3o de bastidores, o trabalho da categoria TAE atravessa a institui\u00e7\u00e3o de uma extremidade \u00e0 outra, impactando a vida de toda a comunidade acad\u00eamica, que depende dela para o bom funcionamento dos processos de ensino-aprendizagem, pesquisa e extens\u00e3o. E \u00e9 por isso mesmo que a implementa\u00e7\u00e3o do ponto eletr\u00f4nico nos Institutos Federais n\u00e3o pode ser comparada \u00e0 sua aplicabilidade em um escrit\u00f3rio ou f\u00e1brica (n\u00e3o que a defendamos nesses espa\u00e7os). Aqui, existem a pesquisa e a extens\u00e3o, as comiss\u00f5es variadas que contam com a participa\u00e7\u00e3o TAE, as demandas de contraturno que surgem diariamente, porque o que se tem \u00e9 um espa\u00e7o vivo de constru\u00e7\u00e3o de conhecimento cotidiano nos tr\u00eas turnos, movimentado por uma comunidade acad\u00eamica com demandas de fluxo di\u00e1rio. O papel dos TAEs para o funcionamento da institui\u00e7\u00e3o, para o \u00eaxito e a perman\u00eancia dos estudantes, para o fluxo dos processos que permeiam o ensino, a pesquisa e a extens\u00e3o \u00e9 indiscut\u00edvel e n\u00e3o pode ser simplificado, reduzido ao controle do ponto eletr\u00f4nico.<\/p>\n<p>Mas o que est\u00e1 posto no relat\u00f3rio supracitado \u00e9 a observ\u00e2ncia a um princ\u00edpio isolado da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, a legalidade, em detrimento de todos os outros. Uma pol\u00edtica de austeridade que em nada tem a ver com a qualidade do servi\u00e7o p\u00fablico. Tanto \u00e9 que n\u00e3o existe \u2018avalia\u00e7\u00e3o\u2019 dos processos no referido documento \u2013 algo que pode ser educativo e gerar a reflex\u00e3o e a criticidade sobre o conjunto de trabalho desempenhado. No relat\u00f3rio, toda\u00a0 ocorr\u00eancia dessa palavra est\u00e1 restrita \u00e0 aferi\u00e7\u00e3o de dados e \u00e0 ideia de controle, com total apagamento da carga sem\u00e2ntica que lhe \u00e9 inerente de \u2018analisar, apreciar ou estimar o valor de algo\u2019.<\/p>\n<p>No relat\u00f3rio da Auditoria Interna, cujo \u201cfoco \u00e9 o controle do registro de frequ\u00eancia dos servidores t\u00e9cnico-administrativos\u201d, assevera-se: \u201cEssa auditoria busca identificar eventuais inconformidades e fragilidades nos procedimentos existentes, <strong>com o intuito de oferecer recomenda\u00e7\u00f5es que possam fortalecer a gest\u00e3o e assegurar a efici\u00eancia e a transpar\u00eancia<\/strong> na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. A implementa\u00e7\u00e3o das <strong>melhorias sugerida<\/strong>s contribuir\u00e1 para um <strong>ambiente de trabalho mais eficaz<\/strong> e para uma utiliza\u00e7\u00e3o mais respons\u00e1vel dos recursos p\u00fablicos\u201d. Ora, se h\u00e1 a manuten\u00e7\u00e3o das atividades e permanece o pleno funcionamento da institui\u00e7\u00e3o; se n\u00e3o h\u00e1 favoritismo, de sorte que todos os TAEs s\u00e3o contemplados com o recesso, mesmo com o revezamento; se a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica atua com \u00e9tica; se h\u00e1 transpar\u00eancia com a comunidade acad\u00eamica e a sociedade; se h\u00e1 efici\u00eancia, na medida em que o recesso dos TAEs durante o recesso acad\u00eamico ocasiona economicidade, evitando desperd\u00edcios (de energia el\u00e9trica, \u00e1gua, entre outros), e garante melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, com servidores descansados para o retorno ao calend\u00e1rio acad\u00eamico, por que o recesso \u00e9 visto unicamente sob a l\u00f3gica do il\u00edcito? \u00c9 preciso problematizar o que est\u00e1 por tr\u00e1s disso.<\/p>\n<p>Em contexto local, precisamos problematizar o tipo de IFG que a gest\u00e3o atual quer deixar de legado: um IFG controlador, com descontentamento crescente e generalizado entre o quadro administrativo, ou um IFG com qualidade, que cumpre sua fun\u00e7\u00e3o social, em converg\u00eancia com o seu PPPI e PDI democr\u00e1ticos e participativos? Precisamos tamb\u00e9m nos questionar acerca do tipo de mensagem que essa l\u00f3gica passa para a comunidade acad\u00eamica e para a sociedade sobre os servidores TAEs, invisibilizando e descredibilizando uma carreira j\u00e1 t\u00e3o sucateada. Precisamos refletir, ainda, sobre a ideia de autonomia, para que n\u00e3o seja usada somente de acordo com a conveni\u00eancia, mas que seja permanentemente defendida, em um espa\u00e7o educacional rico, que \u00e9 tamb\u00e9m um espa\u00e7o de constru\u00e7\u00e3o de sociedade. Precisamos, principalmente, debater o modelo de institui\u00e7\u00e3o que queremos.<\/p>\n<p>Em contexto amplo, n\u00e3o podemos nos esquecer da \u00e9gide sobre a qual essa institui\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo constru\u00edda. Nesse aspecto, conv\u00e9m lembrarmos da \u2018universidade operacional\u2019, definida por Marilena Chau\u00ed como um modelo que surge como uma organiza\u00e7\u00e3o voltada para si mesma e para a gest\u00e3o de contratos estruturada em estrat\u00e9gias e programas de efic\u00e1cia organizacional em total acordo com a l\u00f3gica da empresa capitalista, e n\u00e3o mais como uma institui\u00e7\u00e3o social. Nesse cen\u00e1rio amplo, em que imperam as pol\u00edticas neoliberais, o IFG \u00e9 apenas uma parte muito pequena de um todo. Nessa seara, o ponto eletr\u00f4nico \u00e9 somente um elemento componente de um pacote, no qual tamb\u00e9m cabem a terceiriza\u00e7\u00e3o, os contratos por tempo determinado, a informatiza\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria do trabalho para substitui\u00e7\u00e3o de trabalhadores, a fiscaliza\u00e7\u00e3o, as c\u00e2meras. \u00c9 o panorama bastante vis\u00edvel da terceiriza\u00e7\u00e3o, da educa\u00e7\u00e3o como mercadoria, em que a l\u00f3gica produtivista, empresarial, gerencial est\u00e1 cada vez mais forte, implicando a precariza\u00e7\u00e3o m\u00e1xima das rela\u00e7\u00f5es de trabalho e da pr\u00f3pria educa\u00e7\u00e3o. Nada disso \u00e9 \u00e0 toa, \u00e9 parte de um projeto de destrui\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico em uma perspectiva de Estado m\u00ednimo e sempre, de maneira voraz, a servi\u00e7o do capital.<\/p>\n<p>Chamamos a aten\u00e7\u00e3o, por fim, para o fato de que, anterior ao neoliberalismo, essas pol\u00edticas s\u00e3o parte do sistema do capital, porque reiteram todas o modo do trabalho hier\u00e1rquico alienado. Essas formas autorit\u00e1rias, autocr\u00e1ticas, de vigil\u00e2ncia fazem parte da constru\u00e7\u00e3o desse tipo de trabalho, alocadas no modelo da \u2018miss\u00e3o institucional\u2019, na qual o servidor apenas cumpre as ordens, ora da chefia imediata, ora da dire\u00e7\u00e3o, ora dos \u00f3rg\u00e3os de controle, ora do MEC. Nesse formato, al\u00e9m de ser massacrado, tem tamb\u00e9m fun\u00e7\u00e3o meramente instrumental, sendo retirado de si o sentimento de pertencimento e a compreens\u00e3o de totalidade, em uma atua\u00e7\u00e3o na qual n\u00e3o h\u00e1, por exemplo, nenhuma pergunta sobre o seu engajamento e suas contribui\u00e7\u00f5es \u2013 perguntas essas soterradas pela perspectiva da puni\u00e7\u00e3o, repress\u00e3o, na qual ele \u00e9 considerado, antes de tudo, como algu\u00e9m que transgredir\u00e1, na primeira oportunidade, a ordem.<\/p>\n<p><strong>O Sintef-GO, de acordo com seus princ\u00edpios e hist\u00f3ria, permanece na luta pelos direitos dos servidores do IFG e IFGoiano e combativo a todos os mecanismos que rebaixam as condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos servidores TAEs e a sua importante fun\u00e7\u00e3o como construtores de uma institui\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o socialmente referenciada. Al\u00e9m disso, nossa entidade segue vigilante e ativa em defesa do fortalecimento da democracia e autonomia institucional.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Sintef-GO na Luta! <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Sintef-GO vem, por meio dessa Nota, apresentar \u00e0 comunidade uma an\u00e1lise necessariamente exaustiva acerca da intensifica\u00e7\u00e3o das formas de controle do trabalho administrativo no IFG, de seus impactos nas vidas dos servidores e, por conseguinte, na qualidade que pode ter o trabalho por eles\u00a0realizados.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3247,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"two_page_speed":[],"footnotes":""},"categories":[28,10,50,1],"tags":[],"class_list":["post-4935","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-conv-assembleia-geral","category-destaque","category-notas","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sintef.org.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4935","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sintef.org.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sintef.org.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sintef.org.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sintef.org.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4935"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/sintef.org.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4935\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4937,"href":"https:\/\/sintef.org.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4935\/revisions\/4937"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sintef.org.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3247"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sintef.org.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4935"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sintef.org.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4935"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sintef.org.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4935"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}